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Lê e ler


Foto reprodução - Canva

Arrisque-se!

Ela acordou, naquela manhã, feliz como há muito não se lembrava de ser. Sorriu para o seu reflexo no espelho apertado do quarto. Olhou para aquele tão gigantesco cubículo que chamava de quarto e se sentiu vitoriosa. E quem disse que ela não era? 

Ah, claro! Ela se lembrava de cada frase maldosa dita durante sua vida: você não vai conseguir, isso não é pra você... E houve um tempo em que cada palavra desta era uma verdade para si. E a vida parecia tão mais pior assim. 

Porém com a maturidade que só os anos e a vida podem dar, ela percebeu que pouco importava o que outros pensavam sobre ela (bom, a maioria deles). Somos seres dotados de livre arbítrio e o que nos separa do que nos realmente faz bem é uma questão de escolha, primariamente. Você quer lutar com o mundo?

Ela descobriu que o prazer de uma nova conquista é gratificante, ainda mais aquelas que exigem tanto. A mudança é algo que assusta a muita gente, mas para ela era sinônimo de liberdade. Ser e descobrir o seu verdadeiro eu. Você já tentou?

Tentou de tudo. Se decepcionou. Aprendeu. E percebeu que a vida é bem mais emocionante quando nos dispomos a conhecê-la em sua totalidade. Aprendeu uma música, um novo curso e descobriu que eram tantas dentro de uma. Você já descobriu todas suas possibilidades?

Nem sempre é fácil, essa uma das verdades. Existem batalhas e batalhas. Algumas compreendidas, outras não. Mas acreditar em um ideal e lutar por tal é engrandecedor. E ela aprendeu isso. Aprendeu que valia a pena lutar por cada particularidade sua e que elas também eram de tantas outras pessoas. E ela lutou por eles. E por aqueles que também eram diferentes em suas personalidades. 

Ser diferente. 

De ontem. De hoje. De amanhã. 

Não é errado. Acredite. 

Então, acima de tudo, arrisque-se. 


Leatrice Barros 
00:44:00 No Comments


A primeira vez nunca esquecemos

            Sempre acreditei que a primeira vez nunca esquecemos e por isso sempre tentei que elas fossem especiais. Ah, ainda lembro, como se fosse o hoje: o primeiro dia que matei aula.  Logo eu, a menina que sentava na primeira carteira da fileira e sempre tirava notas boas. Mas eu me deixei levar por aquela sensação de “quebrar regras”.

            A aula era de educação física. Você pode estar pensando: tantas aulas e a garota escolheu logo esta? Mas entendam duas coisas: uma, eu detesto atividade física e segundo, qualquer fuga era de me deixar tremendo. Deixei eu ser levada pela minha amiga até a lanchonete da escola e ficamos lá, sentadas em um canto, conversando.

            A escola era grande e tinha somente um monitor. A chance de sermos encontradas era bem baixa, ela disse. Minha amiga era a experiente e eu a boba medrosa que toda hora ficava olhando para ver se íamos ser pegas. Mas tudo bem, naquele dia tudo correu bem. Entretanto eu nunca mais matei aula. 
         
           A primeira vez que vamos a um show também me lembro. A sensação de poder fazer algo. A tão famosa maioridade. Não que eu tenha me encaixado. Nunca foi muito o meu tipo. Mas tinha algo de diferente em estar ali, em meio a tantas pessoas. As luzes... Foi diferente. Às vezes o diferente é bom. 

                Ah e a primeira vez que andei em uma montanha russa? Me senti tão detentora de coragem. Senti aquele frio na barriga, o medo de cair, mas foi divertido. A adrenalina na veia. Repetiria? Sem dúvidas! Um pouco de radicalidade faz bem, ué. 

            Lembro-me um pouco melhor ainda da primeira paixonite. E da primeira paixão. Porque tem diferença, certo? A minha primeira paixonite foi por um garoto da turma abaixo de mim. Mas ele era tão mais alto que eu, o que tornava tal fato irrelevante. Lembro de como tudo aconteceu. Estavamos passando pelo corredor, naquela agitação de fim de intervalo. Ele tropeçou em mim, não pediu desculpas e quando me virei me deparei com um par de olhos verdes lindos.

            Meu coração parou naquele momento. Senti algo diferente, uma pena que ele não. Foi-se embora. Porém eu não era mais a mesa. Aaah, os doces quatorze anos. Eu passei a observá-lo nos intervalos. Como ele era com os amigos, sozinho.

Eu não tinha um pingo de coragem de ficar no mesmo metro quadrado. Eu simplesmente passava mal. As borboletas em minha barriga pareciam não acabar nunca. As pernas bambeavam. Sei disso porque uns amigos tentaram nos aproximar. Lembro-me de escrever poemas. De ouvir This is me direto e nos imaginar. Um dia passou, tão rápido como veio. Mas nunca esqueci.

Tampouco esqueci da primeira declaração que recebi. Meu coração saltava em meu peito tão nervoso, mesmo eu sabendo de antemão o que aconteceria. Mas para certas coisas nunca estamos tão prontas. E ali, sentada no pátio da escola, eu senti um dos primeiros dramas de adolescência clichês. Amizade ou namoro? Eu não sabia.

E para ele eu gostaria de dizer, foi uma bagunça doida, aquele período, não é? Mas deu tudo certo e tomamos os caminhos que deveríamos tomar. Eu nunca fui de adiantar nada e acho que foi o melhor o fim que tomou.

A primeira paixão foi a pior de todas. E a melhor. A que um dia me fez ficar na bad e hoje me arranca umas boas risadas. E eu acho que a vida tem que ser assim mesmo. Devemos rir de tudo que aconteceu. É mais fácil do que guardar rancor. E eu guardei, sabe? Por um tempo.

E acho que até isso não esquecemos. A primeira vez que queremos tanto, mas dizemos não. Um não com uma dose de orgulho com amor próprio. Ora, quem gosta de ser trouxa?

Mas nunca esquecemos. O frio na barriga, a vontade louca de conversar, as disputas – aquela tática falível de mascarar -, de tudo. De quando corava quando ficava com vergonha. De quando mentiu. Nada, nada esquecemos. Mas aprendemos a lidar. Cada coisinha em nossa vida faz parte do crescimento, não é?

E crescer não dói? Sim! Dói e muito. Mas você verá, acredite, que sairá muito maior que tudo isso. Eu sempre tentei encarar minha vida como um roteiro de um livro ou algo assim. Tudo que me acontecia era intenso demais e eu gostava, até. Me fazia sentir viva.

Uma pena que quando a gente cresce perdemos um pouco do anseio de fazer tudo perfeito. Esquecemos daquela pessoa que fez de tudo para dar o seu primeiro beijo especial. E não deu certo. E você acaba aceitando um menos. Com uma pessoa menos.

E não, também sei que não vamos esquecer. Vamos tomando os rumos em nossa vida, cabe a nós descobrir o que fazer com cada uma dessas situações. Eu escolhi fazer delas pilares do meu fortalecimento. E você? O que escolheu?

09:50:00 2 Comments
         
Hey leitores, como vão? 

Hoje trago mais um texto do desafio Escrevendo sem medo. Em fevereiro não consegui fazer (poema não é meu forte), mas decidi continuar me desafiando. Desistir jamais, não é? 

Espero que gostem!


 Vem ser           

             No fundo, querido colega, sois só. E somente por isso, você devia se bastar. Sim, nas noites frias escuras, sentada em seu quarto, a solidão não devia lhe doer. Deveria ser seu refúgio. Todo mundo deveria ter em si o seu porto seguro.
            Não importa o quanto lhe amem, um dia todos falham. Ou se vão. E a dor do coração partido tampouco deve superar sua a vontade do viver. Nossa existência é um pequeno ato de uma grande peça de teatro, mas tal qual um ator atua, sem poder fazer grandes alterações no espetáculo, nós o somos.
            Não se permita se abater pelo que vos diga. Você é maior que tudo isso. Lembre-se que as palavras ditas são como presentes, não somos obrigados a acumular itens que não gostarmos.
            Não se permita. Se abater pelo dito. Ou pelo não dito. Pelo feito e não feito. Viva, seja e aja.
            Viva completamente no anseio de ser o melhor que puder. Na plena convicção de que nunca está desamparada. Curta a vida como se a sua efemeridade não fosse maior que um dia.
            Seja tudo que sempre sonhou para si. E o que ainda não sonhou. Se redescubra. Comece um novo curso, conheça uma nova música. Dance, pule e cante. Pinte, escreva e leia. Seja todas as versões de si, não tema!
            Aja. Sem medo e sem culpa. Não seja como um pássaro preso na gaiola. Fuja e descubra os prazeres de viver. A liberdade de sermos a nós, pura e unicamente, é a mais valiosa dádiva. Q

Texto de Janeiro: aqui


Beijos!

13:44:00 6 Comments

Oiie leitores, tudo bem?


Hoje trago para vocês a resenha do livro Noites de Verão, da autora Luísa Aranha. A autora que é blogueira no Causos e Prosas, onde inclusive ela publicou estes textos e a partir dos sucessos que eles fizeram é que ela teve a ideia de juntá-los (os mais populares). De maneira independente, Luisa separou e publicou o livro físico. 

Sobre o livro

“Foram caminhando. Conversando sobre as coisas mais diferentes, sem se quer se tocarem. Até que chegou a escadaria. Um beco do caminho. Estreito e escuro que parecia ter sido colocado ali propositalmente. Enquanto iam descendo as escadas, ela escorregou. Ele segurou. Pronto o mundo parou.
Da mão estendida segurando ela, o abraço. Do abraço apertado, o beijo. Do beijo quente e molhado, a chuva. Sim, aquela chuvinha de verão. Que mal molha, mas refresca. Que te dá uma sensação de alegria.Foi assim que se amaram. Pela primeira e única vez. Na escadaria do beco, há luz da lua e com a chuva lavando suas almas.”

Trecho do conto Noites de Verão

Uma mulher que só pensa em casar, uma pessoa que se sente marciana, encontros, desencontros e reencontros de amor,  um homem que se sente atraído por uma mulher, uma mulher que se apaixona novamente pelo colega de escola, alguém que é traído, alguém que está apaixonado e alguém que sente uma saudade infinita. 
Sentimentos, palavras, alucinações , sonhos e vontades. Medos, loucuras, desejos,  poesia, prosa, causos, lágrimas e amor.



O que achei da obra

Bom, por onde começar? 

Noites de Verão é aquele livro que merece ser lido, todo dia um pouquinho. Porque? O livro é uma coletânea de contos e textos, então tampouco faz se você quiser seguir a ordem ou não. Além disso, a escrita da Luisa é tão gostosa, que flui tão rápido e te emociona com tão poucos paragrafos. 

Aah, sim. Você vai ser pega sorrindo no final de quase todos os textos. Porque não são aqueles que você lê e pensa que está distante da sua realidade. Pelo contrário! Talvez você tenha passado por aquela situação hoje ainda ou talvez amanhã passará. 

Luísa, com seu jeitinho, nos fará pensar sobre assuntos importantes como: o que faríamos se mesmo que acidentalmente causássemos a morte de alguém ou ainda, quanto tempo podemos adiar nossos sonhos e será que vale a pena? E ainda, assuntos menos dramáticos, como o quão problemático pode ser um piso branco (avá, quem nunca teve? Aposto que vai se identificar com essa história), quem nunca teve uma paixonite, quem nunca se sentiu mal ao ser desmentido sobre algo? 

Enfim, em 64 páginas você pensar e sentir tanta coisa que é mais fácil sentir que falar. 





 Noites de Verão
Autora: Luísa Aranha
Páginas: 64 páginas
Comprar: aqui





Beijos!



22:31:00 24 Comments
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Leatrice Barros

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Oi, gente! Meu nome é Leatrice, mas pode me chamar de Lê. Sou estudante de Letras Português - Inglês na UFF e criei esse canto para unir a faculdade que amo com o universo dos livros e filmes!

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